Algumas questões sobre IA e Acessibilidade Digital

Algumas questões sobre IA e Acessibilidade Digital

Como um designer profissional, apaixonado por criar experiências digitais inclusivas, frequentemente reflito sobre a importância de entender a história. Especificamente no mundo do design UX, isso se torna essencial ao considerarmos a trajetória da acessibilidade. Compreender esse passado nos ajuda a entender onde estamos, o progresso que fizemos e para onde podemos avançar.

A acessibilidade digital vai além de ser um recurso adicional; é um direito, essencial para todos, independente das necessidades de cada um. No Brasil, cerca de 18,6 milhões de pessoas, ou aproximadamente 9% da população, vivem com algum tipo de deficiência. Essas pessoas, assim como muitas outras, precisam usar produtos digitais efetivamente. A ausência de acessibilidade representa oportunidades perdidas, limita o uso e gera desconfortos dos mais diversos tipos para quem interage com serviços digitais.

Um bom design deve servir a todos. Se queremos que nossos designs sejam perenes, a acessibilidade é vital. Ainda assim, o estado atual da acessibilidade digital de um projeto sermpre será um trabalho contínuo.

Foto gerada pelo DALL-E - ChatGPT 4

Foto gerada pelo DALL-E – ChatGPT

Desafios atuais da Acessibilidade Digital

Enfrentamos desafios que vão desde telas sensíveis ao toque inadequadas para pessoas com destreza manual limitada, a problemas com o tamanho do texto e controle de descrição em áudio. A falta de cuidado com problemas físicos como baixa visão ou surdez até pessoas que tenham algum grau de dificuldade em desempenhar interações complexas. Além disso, tecnologias como JavaScript que nem sempre irão funcionar bem com leitores de tela por padrão, comprometendo a experiência de usuários com deficiências visuais.

Acessibilidade digital e a Legislação no Brasil

A história legal da acessibilidade no Brasil reflete uma evolução significativa. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, sancionada em 2015, destaca-se como um marco legislativo. Essa lei aborda várias facetas da inclusão, desde acessibilidade arquitetônica até inclusão digital, enfatizando a importância de criar espaços e serviços acessíveis para todos. Ela representa um passo fundamental no compromisso do país com os direitos das pessoas com deficiência.

Progresso da Acessibilidade Digital

Com a legislação em vigor, o desafio agora é garantir sua aplicação efetiva. Como designers e pesquisadores de UX no Brasil, temos a responsabilidade de conhecer e aplicar esses padrões em nosso trabalho. Ao projetar com a acessibilidade em mente, estamos não apenas cumprindo uma obrigação legal, mas também promovendo uma inclusão mais ampla.

A evolução da acessibilidade digital no Brasil é um reflexo do progresso que fizemos como sociedade, mas também um lembrete do trabalho que ainda precisa ser feito. É crucial que continuemos a nos educar e a atualizar nossas práticas para garantir que a tecnologia seja acessível a todos, respeitando os direitos e a dignidade de cada indivíduo.

Como começar com Acessibilidade Digital

  1. Boas Práticas de Acessibilidade Digital em projetos web:
    • Uso de cabeçalhos e títulos: Estruturar o conteúdo de forma clara, utilizando cabeçalhos e títulos para facilitar a navegação.
    • Alternativas textuais para Imagens: Fornecer descrições textuais para imagens e elementos visuais.
    • Atributos e descrições para links: Utilizar textos descritivos nos links para facilitar a compreensão do destino ou função do link.
    • Legendas e transcrições para conteúdo em áudio e vídeo: Oferecer legendas e transcrições detalhadas para conteúdos multimídia.
    • Cores e contraste adequados: Escolher cores com contraste suficiente para facilitar a leitura e evitar o uso de cores como único meio de transmitir informações.
    • Navegação por teclado: Garantir que todos os elementos interativos sejam acessíveis por teclado.
    • Linguagem simples e clara: Evitar jargões e termos técnicos, optando por uma linguagem acessível.
  2. Desafios da Inclusão Digital para a Terceira Idade:
    • Presbiopia e Perdas visuais: Adaptações para dificuldades visuais comuns, como fontes maiores e contraste adequado sempre que possível.
    • Problemas de coordenação motora: Implementação de tecnologias assistivas para pessoas com dificuldades motoras, botões com ao menos 44px de tamanho de tela.
  3. Diretrizes WCAG:
    • Seguir as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG), que oferecem um conjunto de práticas recomendadas para garantir que os sites sejam acessíveis em diferentes níveis.
  4. Situação Atual no Brasil:
    • Apesar da legislação, menos de 1% dos sites brasileiros implementam a acessibilidade digital efetivamente. É vital que as organizações comecem a promover mudanças para transformar esse cenário.

O campo do design de experiência do usuário (UX) tem sido marcado por pontos de virada significativos nas eras recentes, refletindo a rápida evolução da tecnologia e a mudança nas expectativas dos usuários. Vou destacar três momentos essenciais que representam essas transformações.

1. A Era da Mobilidade: Com a popularização dos smartphones e tablets, houve uma mudança dramática na abordagem do UX design. O foco mudou para a criação de interfaces que funcionassem eficientemente em telas menores e que fossem otimizadas para toque, em vez de cliques do mouse. Esse período desafiou os designers a repensar a usabilidade e a acessibilidade, enfatizando designs responsivos e adaptativos.

2. O Impacto das Redes Sociais: As redes sociais trouxeram uma nova dimensão para o UX design, enfatizando a importância da interatividade e do engajamento do usuário. Os designers passaram a integrar elementos sociais nas interfaces, facilitando o compartilhamento e a comunicação. Isso também levou à necessidade de designs mais intuitivos e focados na integração de múltiplos serviços, experiências cross-device, criando um ambiente mais envolvente e conectado.

3. Avanços na Inteligência Artificial e Machine Learning: A integração de IA e machine learning no UX design marcou outro ponto crucial. Essas tecnologias permitiram a criação de interfaces mais personalizadas e adaptativas, que aprendem com as interações do usuário e se ajustam para melhor atender às suas necessidades. Isso representou um salto significativo na personalização da experiência do usuário, abrindo caminho para interfaces mais inteligentes e proativas.

Mais um pouco sobre inteligência artificial e acessibilidade

Hoje o nosso ponto de virada está um pouco mais delicado. É essencial considerar cuidados específicos para garantir um design inclusivo e a IA tem o potencial de revolucionar a acessibilidade, mas entendo que vai exigir uma abordagem muito mais cuidadosa e consciente dos UX Designers em alguns aspectos.

Primeiramente, é crucial garantir que os sistemas de IA sejam treinados com dados diversificados e inclusivos. Isso evita o viés em sistemas de aprendizado de máquina, que podem resultar em produtos digitais que não consideram adequadamente as necessidades de todos os usuários, especialmente aqueles com deficiências e até alguns problemas ao ignorar etnia ou gênero. Por exemplo, um assistente de voz que não é treinado para entender variações no discurso, como as que podem ser encontradas em usuários com impedimentos de fala, pode não ser acessível para todos, ao mesmo tempo que o retorno dos inputs também podem trazer somente discursos que contemplem somente a maioria.

Além disso, o design inclusivo na era da IA exige uma ênfase contínua na privacidade e na ética. Como a IA pode coletar e processar grandes quantidades de dados pessoais, os designers devem garantir que as informações dos usuários sejam protegidas e usadas de maneira responsável. Isso é particularmente importante para usuários com deficiências, que podem depender fortemente de tecnologias assistivas baseadas em IA e, portanto, podem ser mais vulneráveis a violações de privacidade. A transparência sobre como os dados são coletados, usados e protegidos é fundamental para manter a confiança do usuário e assegurar uma experiência inclusiva e segura.

Acredito que ainda há muito para desenvolver nesse assunto e confesso que é algo que começa a me preocupar por conta da ausencia de controle sobre o resultado dos modelos neurais das AI. A era atual com IA no design de UX apresenta oportunidades incríveis para melhorar a acessibilidade, mas também exige um compromisso firme com a inclusão, a privacidade e a ética. Ao manter esses valores no centro do design de produtos digitais, podemos garantir que as tecnologias emergentes sejam acessíveis e benéficas para todos.

Volto aqui ao blog depois de alguns anos, olhando novamente para o passado e para futuro. Sinto que é vital continuar colaborando, inovando e compartilhando conhecimentos sobre essas discussões. Cada passo que damos como UX Designers em direção a um mundo mais inclusivo e acessível não beneficia apenas um grupo específico de usuários, mas enriquece toda a sociedade.

Ps. Este artigo foi escrito totalmente por mim, aprimorado com recursos de inteligência artificial e depois aprimorado novamente por mim em um trabalho de aproximadamente 2 horas.

Se quiser baixe o Guia de Boas Práticas para Acessibilidade Digital (do Governo Brasileiro) e for uma pessoa curiosa, veja aqui um artigo que escrevi em 2008(!) sobre Acessibilidade digital.